A presidente do SEC-BG, Orildes Maria Lottici, escreveu um artigo onde reflete sobre a importância do voto e a presença do Estado na vida dos brasileiros. Ao relacionar democracia, proteção social e desenvolvimento, destaca como as escolhas feitas nas urnas repercutem no cotidiano dos trabalhadores e de toda a sociedade. Boa leitura!

O voto e o Estado que nos encontra todos os dias

Por Orildes Maria Lottici – Presidente do Sindicato dos Comerciários de Bento Gonçalves

Neste domingo, 25 de outubro de 2026, o Brasil volta a exercer um dos direitos mais importantes que conquistou ao longo de sua história: o direito de escolher. A eleição presidencial é também um momento de reafirmar a nossa cidadania. Eu, você e milhões de brasileiras e brasileiros teremos novamente a oportunidade de participar das decisões que definirão os rumos do nosso país.

Não quero falar de candidatos, comparar programas de governo ou alimentar a cansativa e prejudicial divisão entre direita e esquerda. Quero falar da democracia brasileira e do Estado que nos encontra todos os dias, cuja importância vai muito além de uma disputa eleitoral.

Na democracia, o voto do empresário tem exatamente o mesmo valor que o voto do trabalhador de uma loja. O grande produtor rural e a microempreendedora do bairro têm o mesmo poder de escolha. Diante da urna eletrônica, somos todos iguais. É ali que o Brasil rico e o Brasil pobre, o negro e o branco, o assalariado e o autônomo se encontram na condição de cidadãos, com os mesmos direitos. O voto é secreto, para que cada pessoa possa escolher com liberdade, de acordo com sua consciência.

Defender a urna, o direito de votar e o respeito ao resultado das eleições é defender o Brasil.

Mas, quando a eleição termina, permanece algo fundamental para a nossa vida em sociedade: o Estado brasileiro. Muitas vezes criticado e nem sempre percebido em sua dimensão, ele está presente em situações que fazem parte da rotina de milhões de pessoas.

Está na Seguridade Social, que reúne a Previdência, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Assistência Social. Essa rede ampara o trabalhador quando adoece, sofre um acidente ou chega à aposentadoria depois de uma vida dedicada ao trabalho, seja no balcão, no caixa, na indústria, no campo ou na estrada. Também oferece atendimento à saúde e proteção a quem mais precisa.

O Estado está presente nas instituições financeiras públicas, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia. Elas ajudam a levar crédito a setores e regiões que nem sempre encontram as mesmas oportunidades no mercado. Seus recursos financiam a indústria, a produção agropecuária, a abertura e a manutenção de pequenos negócios, além de oferecer capital de giro a microempreendedores individuais.

Essa presença também se revela na vacina oferecida gratuitamente nos postos de saúde de Bento Gonçalves, da nossa região e de tantos outros municípios. Por meio do Programa Nacional de Imunizações, uma das mais importantes políticas públicas do país, a proteção à saúde chega perto de onde as pessoas vivem.

Está na escola pública, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que amplia as possibilidades de acesso ao ensino superior, e nas políticas de educação e formação profissional. Também está nas estruturas e iniciativas que viabilizam o trabalho de instituições como o Senac e o Sesc, tão presentes na qualificação profissional, no bem-estar e na vida dos trabalhadores do comércio.

O Estado se faz presente, ainda, nos programas habitacionais que permitem a famílias conquistar uma moradia digna e nas políticas sociais de proteção e inclusão. Tratar essas políticas como esmola é desconsiderar o que representam na vida de quem precisa delas. Quando uma família recupera condições de viver com dignidade, pode voltar a consumir, movimentar o comércio local, buscar oportunidades e participar mais ativamente da economia.

Para nós, trabalhadores do comércio, essa relação é muito clara. Sabemos que não existe comércio forte com uma população enfraquecida economicamente. O movimento no balcão diminui quando o salário perde poder de compra, quando o crédito não circula ou quando a falta de acesso à saúde compromete a vida e o trabalho das pessoas.

Por isso, um Estado forte, eficiente e equilibrado pode e deve ser parceiro do setor produtivo no desenvolvimento econômico e social. O país precisa de empresas que produzam, empreendedores que invistam, trabalhadores valorizados e serviços públicos que funcionem. Cada uma dessas condições contribui para que as demais prosperem.

É com esse olhar que convido cada cidadão a participar da eleição deste domingo. Independentemente de sua preferência política, exerça o direito ao voto com orgulho. Se puder, leve seus filhos e mostre a eles o significado desse momento para a nossa história.

A democracia brasileira tem imperfeições, mas é uma das maiores conquistas do nosso povo. Sua construção exigiu esforço, participação e luta. Preservá-la exige de todos nós o compromisso com os direitos dos cidadãos e com o respeito às escolhas feitas nas urnas.

O voto nos permite escolher os caminhos do país. O Estado brasileiro, quando bem administrado, com honestidade, responsabilidade e compromisso com o interesse público, é um dos principais instrumentos para transformar essas escolhas em melhores condições de vida.

Que, acima das diferenças e dos resultados das urnas, prevaleça o compromisso com a democracia, com os direitos dos cidadãos e com um Brasil melhor para todos.