Com a chegada de um novo ano, cresce entre trabalhadores a sensação de que algo precisa mudar. Para alguns, 2026 surge como a oportunidade de buscar um novo emprego, uma recolocação ou até uma transição de carreira. Para outros, o cenário é o de seguir no mesmo trabalho, enfrentando desafios antigos que retornam com novas roupagens.

Segundo um levantamento da Glassdoor (Relatório 2026), o mercado voltou a registrar níveis de desligamento próximos ao período pré-pandemia: cerca de 1,7 milhão de desligamentos mensais em 2025, o que reforça um ambiente de insegurança contínua. Ao mesmo tempo, cresce o número de profissionais repensando sua relação com o trabalho e avaliando mudanças de rota.

Retorno ao presencial: tendência ou ajuste em curso?

Após anos em que o home office e o modelo híbrido foram apontados como o futuro do trabalho, grandes empresas passaram a anunciar o retorno integral aos escritórios. Casos recentes em bancos e fintechs reacenderam o debate sobre produtividade, engajamento e cultura organizacional.

A avaliação da produtividade no remoto, muitas vezes baseada em ferramentas de monitoramento digital, também tem gerado desconforto e desconfiança entre profissionais.

Desafios legais, estruturais e culturais

A regulamentação do trabalho remoto e híbrido pela Lei nº 14.442/22 trouxe avanços, mas a adaptação tem sido lenta.

Além da legislação, entram em cena questões como infraestrutura tecnológica, segurança da informação e ergonomia. A NR-17, que trata das condições de trabalho, volta a ganhar relevância em um contexto em que o escritório se mistura com a casa. Segundo especialistas, a falta de investimento nessas frentes compromete tanto a saúde do trabalhador quanto a eficiência do modelo.

Insegurança silenciosa e “layoffs intermináveis”

Outro fator que pesa nas decisões de carreira é o clima de instabilidade criado por demissões contínuas e silenciosas. A Fast Company aponta o crescimento dos chamados forever layoffs, cortes pequenos e recorrentes que fragilizam a confiança interna. Nas avaliações da Glassdoor, aumentaram as menções a termos como “desconfiança” (+26%) e “comunicação deficiente” (+25%).

Estudos da American Psychological Association (APA, 2025) indicam que mais da metade dos trabalhadores relata aumento significativo do estresse devido à insegurança no emprego. Esse cenário afeta engajamento, criatividade e saúde mental, levando muitos profissionais a considerar a mudança de empresa como estratégia de autoproteção.

Escassez de mão de obra e novos dilemas

Paralelamente, setores como comércio, construção civil e atacado enfrentam dificuldades para preencher vagas. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram falta de mão de obra em 57 das 100 principais profissões do varejo, enquanto o desemprego segue em níveis historicamente baixos.

A resposta tem vindo por diferentes caminhos: aumento de salários, revisão de escalas, benefícios adicionais e, em alguns casos, automação. Ainda assim, muitos trabalhadores optam por modelos mais flexíveis, como aplicativos e freelancing, mesmo abrindo mão da estabilidade da CLT.

Afinal, o que esperar de 2026?

Mais do que escolher entre “ficar” ou “mudar”, o trabalhador entra no novo ano diante de uma pergunta central: qual modelo de trabalho é possível e sustentável hoje? A resposta passa menos por promessas de Ano Novo e mais pela capacidade de avaliar contexto, direitos, bem-estar e perspectivas reais de desenvolvimento.

Fonte: Geração T – Fase 2
UGT / SEC-BG